Leci Brandão olha para o pagode como movimento que valorizou mulheres e celebra trajetória em documentário

A sambista Leci Brandão, aos 80 anos, é tema do documentário Leci, que estreia no Festival In-Edit Brasil, dedicado ao cinema musical. O filme dirigido por Anderson Lima traça a carreira multifacetada da artista — da música à política — reunindo depoimentos de nomes da música e de figuras públicas que acompanharam sua trajetória.

Natural do Rio de Janeiro e atualmente deputada estadual pelo PCdoB em São Paulo, em seu quarto mandato, Leci falou à reportagem sobre como o pagode dos anos 1990 contribuiu para transformar a forma como mulheres eram retratadas nas letras. Segundo ela, o gênero introduziu canções de amor com ternura e carinho voltadas às mulheres, fazendo com que se sentissem mais valorizadas e desejadas — um contraponto às representações anteriores que eram mais superficiais ou estereotipadas.

Ao comentar sobre a influência desse movimento no samba, Leci observa que enquanto o samba tradicional mantém sua essência, houve uma mudança cultural importante com o surgimento do pagode, impulsionada por grupos como Raça Negra, cujo vocalista Luiz Carlos ajudou a popularizar melodias de amor e afeto.

No documentário, Leci também revisita momentos de sua vida pessoal e artística — incluindo desafios e superações. Ela recorda episódios de machismo na história do samba, como sua entrada na ala de compositores da Mangueira, onde enfrentou resistência antes de ser aceita.

Além da música, Leci fala sobre sua carreira política e sobre persistência na luta por causas sociais, mesmo quando se viu enfrentando plateias vazias ou críticas. Para ela, a importância da palavra e da coerência com suas convicções sempre foi fundamental, independentemente de público ou posição.

O documentário será exibido em diversas sessões do In-Edit Brasil, oferecendo ao público uma oportunidade de conhecer mais sobre a vida, a arte e o impacto cultural de uma das vozes mais influentes do samba brasileiro.

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